Existem certas coisas, sobre as quais não podemos falar.
Por exemplo, não podemos descrever a música. Por isso, a maioria dos artigos dos críticos musicais nos jornais parecem completamente absurdos. Quando tentam representar em palavras o desempenho de um artista, pegam emprestado termos de outros tipos de arte e tentam mostrar que entendem muito do que estão expondo. Mas não existe uma maneira pela qual um crítico musical possa, através das palavras, fazê-lo ouvir os sons de um concerto.
Contudo, escrevendo-se determinadas instruções no papel, explicando certas coisas que devem ser realizadas, estes sons podem ser reproduzidos. A notação musical é, essencialmente, um grupo de instruções (assim como “desenhe um círculo” ou “desça uma perpendicular”.
Então, se você seguir essas instruções compreenderá as coisas que não podem ser descritas.
A yoga é isso.
Todos os ensinamentos místicos são na realidade instruções. Não são uma tentativa de descrever o Universo, Deus, ou a realidade última. Todo místico sabe que isso é impossível de ser feito.
A própria palavra misticismo deriva da palavra grega myein, que significa guardar silêncio.
Fique em silêncio, e você compreenderá por que as instruções devem ser ouvidas, vistas.
Pare, olhe e ouça – e veja o que acontece – isso é yoga. Simplesmente não fale
Não fale
para não estragar tudo.
Alguém foi até um mestre Zen e perguntou:
“As montanhas, as colinas, e o céu, são todos o corpo de Buda?”
E o mestre respondeu:
“Sim, mas é uma pena que eu tenha que te dizer isso...”
