Queria apenas ser um grande escritor por acaso, mas não escrever grandes mentiras; um romance falso. E se talvez eu fosse apenas uma formiga? Entrando em Paranoya embaixo da pia agora, a cada centímetro que Avanço, o céu se torna cinza, e a paisagem na janela acelera, mais rápido! Ela entra com sua blusa fragmentada, com sua blusa furada cheia de flores e odores nojentos com ar de Gran Duchess; sua blusa bonita, e sua maquiagem de velha se fundem contra as divisórias de Eucatex da sala vazia, perdendo-se na luminosidade amarelada e sem vida da luz solar, misturando-se aos ácaros invisíveis, em mais uma tarde a ser esquecida. Matéria putrefata.
Eu anão-ser que não queria dizer mentiras. Por isso acredito que seja melhor então pegar todas essas páginas, esses blogs tropicais, essas cascas podres, batê-las num liquidificador mental, e cair fora.
Eu queria morder sua bunda e talvez então você gritasse para todo mundo ouvir, e depois me atiraria pela janela com seu grampeador norte-americano, enquanto no seu íntimo gozasse de todos os privilégios de ser uma dama. E todos me recriminariam e instaurariam processos kafkanianos, enquanto, à noite, antes de adormecer, alguns deles, no aconchego de seus lares cheios de lama, só de sunga na cama, segurando copos de vodka, ficariam na penumbra violeta de abajures lilases, analisando as sombras, balançando cabeças católicas a uma velocidade de 23 quadros por segundo, rindo mais e mais, até caírem num sono profundo e sonhar que são perfeitos, paladinos da justiça, homens de bons costumes, enquanto que eu sou um pobre tarado desdentado e sem pedigree, apenas mais um condenado ao raio laser que ascendeu, pero no troppo, e que eles, prontamente, conseguirão apagar. Ora, vão para o inferno! antes que eu me esqueça (ódio abissal).
Só mesmo quando esqueço quem sou, e me comporto como um idiota, é que consigo ter paz e te perdoar e seguir em frente sem saber para onde estou indo e não olhar para trás sem sentir vontade de chorar e mijar nos azulejos frios e sentar na cadeira giratória do seu gabinete de gorila-mor sem sentir pressa e nem aquele estranho frio na espinha e mexer em seus flocos de neve, nos seus Bonecos da 2ª Guerra na estante, agora ouço passos atrás da porta queria continuar e me transformar num Grilo Falante, mas talvez seja melhor eu me esconder embaixo do carpete. Os bonecos riem e dançam, desesperado procuro meu Trident sem açúcar e não o encontro. Passos parece agora afastar-se, retirando solenemente com um toque ágil mais um cigarro do seu maço de Free, pisoteando cordões no corredor lateral, como uma linha gelatinosa espirrada por uma galinha bêbada. É melhor eu sair daqui em direção à parede dos fundos, US.Air, antes que ele volte e conte outra de suas mentiras. Ele está voltando. Então ele vai entrar e me encontrar; querer que eu ria, quando na verdade eu estou chorando as paredes estão vibrando, vejo uma nuvem de pó subindo em direção ao seu olhar, e mãos espalmadas, marcas de dedos, impressões digitais, borrões refletidos no vidro temperado, aquecido pelo Sol, na janela suja da sua sala de comando; talvez não haja mais clipes nem fita crepe para que eu possa responder e preencher todos os meus pensamentos em formulários atrás da cortina, antes que as suas perguntas de cão de caça voltem e me procurem em meu canto.
Hoje, graças a você, eu posso ser qualquer um; um homem inativo sem sala e sem garagem na vida, tomar meu iogurte Activia de ameixa vencido sem pressa de dormir e não-grito; uma pessoa sem braços e sem esperança, que ficou presa na janela do escritório atirando milho aos pombos, ouvindo o canário cantar na gaiola, sonhando com os urubus, hAirbine
Por tudo isso, sinto muito (pouco) em lhe dizer: aquela sua simpatia não deu certo, aquela mandinga não estava com nada. Ou você prefere que eu recicle tudo? Ou você prefere que eu escreva versos, que corrija todos os erros de Português, antes de te mostrar os meus dedos sangrando? E nada comente sobre o quanto sofri contra o vento; todo mal que me causaste, enquanto Emmo Ki-Soul à beira da cama deitado de costas para a parede, batendo a cinza do cigarro no cinzeiro no chão ao lado do rádio-relógio, vendo as horas passarem em vermelho. Uma a uma, duas da manhã! Sem o prazer do seu corpo frio ao meu lado Esquecilo de dizer: Nãão!
Hoje eu digo sim! sem sentir prazer, e rio das piadas que à tarde meu chefe conta, encostado em armários de aço, só para lhe provar que, mesmo após mais um fim de semana, eu ainda existo, e que eu sou eu mesmo, não sei quem, e nem ele sabe, Chukralha transplantada de uma vida perene e sem assunto, designers a ferro e fogo. Mesmo sendo tudo mentira; mesmo nada tendo acabado, e nem agora Pitágoras importa, mas apenas não-A mais papel higiênico da minha e os arabescos de merda atrás da porta do banheiro, ao lado do número do seu telefone celular.
Por isso não vou mais te ligar, fique que eu finjo queimado, uma bosta verde que se projeta no fundo azul do vaso sanitário, na casa dos homens sãos, ouvindo Tchaikovsky com rolhas nos ouvidos, mergulhados em aquários, chamando Roberts! Rex! Forças Amadas da minha vida em pó-de-Césamo translúcido; prêmio jabuti ignóbil para uma existência pacífica e sem sentido que se desfaz, como nuvens que se afastam sem pedir permissão.
Para aonde vocês, tolos, pensam que vão?
(Edward Dement, marzo 1980)

