Meu espectro se perde, e agora sai de dentro do travesseiro cheio de penas, dizendo: “Não tire a fuligem dos olhos, você criou asas", e saiu voando pela janela através das grades retorcidas.
Eu sei que você não me compreende, e talvez nem ache graça disso tudo. Mas esta não era mesmo uma história pra você entrar. Por isso, peço que saia daqui o quanto antes, e deixe-me viver em paz para sempre neste Céu entre as nuvens.
Estou suando e emagrecendo. Minhas mãos buscam desesperadamente sua garganta. Queria ser fraco o suficiente para poder rasgar seu semblante e torcer seu pescoço, mas sempre haveria alguém atrás da porta, soprando conselhos ao meu Espírito de Porco: “Eu sou o Tempo. Não fique com raiva. Segure em minhas mãos, e fique quieto. Em breve atravessaremos para o outro lado". Dizia, apontando com o dedo longo e pálido para um ponto qualquer em direção às margaridas do Jardim.
Me matarei com minha própria faca de matar porcos.
Onde insetos rastejam noite adentro, atrás dos sonhos de quem morreu antes. Retornando em seguida, molhados, com as mãos vazias, após outra crise de asma, carregando ossos, que o vento levou para longe. Moscas eletrônicas pousam em meu pulso e ficam quietas, cheias de dúvidas, balançando as patinhas da frente, como numa saudação ao Sol. Eu nada posso dizer-lhes do que sei. Apenas posso ouvir do que sei.
Odeio esse som que bate contra as paredes e retorna aos meus ouvidos como uma roda amarela, torturando o lóbulo esquerdo do meu cérebro de peixe-Beta. Você ainda está aí, WILL?
- Sim, claro...
- Não posso vê-lo agora... Por favor, aproxime-se um pouco mais para que eu possa tocar seu rosto pálido com minhas mãos sujas de detergente e enxugar suas lágrimas, Retrato Que Me Fala - RQMF em voz abafada e estereofônica verdades duras e secas, que eu não quero entender e tremo grr... grrr...
Minha caneta esferográfica defeca estranha e fétida decadência, milhões de Wagners e mijo de Minhocas Molies escarlates surfando no chantilly do bolo de cocô, em frente ao ventilador. Milhões de galáxias grávidas perdidas nos furos da minha singela prisão de elásticos.
Você não me atinge mais com seu olhar estragado e essa falsa voz robótica.
Agora eu sou xiita e estou explodindo bolas de fogo em seu semblante de papel.
Você não me atinge mais com seu olhar estragado e essa falsa voz robótica.
Agora eu sou xiita e estou explodindo bolas de fogo em seu semblante de papel.
Will frita um peixe-Alpha, na velha frigideira amassada, enquanto eu estou morrendo. Amo as flores presas no vaso. Obrigado por me manter assim tão mal informado, credo-cruz-de ferro! Minha cabeça está cheia de vespas e borboletas.
Os sonhos estão se transformando em pingos de sangue no chão do banheiro. Alguém está na sala tossindo, e os idiotas acompanham com olhar atento o disco girando na vitrola. A puta entra voando pela janela, esvoaçando as cortinas. O pano de prato cai no chão, transformando-se, em seguida, num gato que ri.
Já estamos quase em setembro...
Desculpe, mas agora eu tenho que ir para longe, à procura de novos dissabores. Por favor, não me siga...
